Os nossos visitantes mais desatentos poderão à primeira vista ajuizar que Alcobaça irá proximamente entrar no circuito do wrestling, ou coisa parecida... Uma melhor e mais cuidada observação levá-los-á, contudo, a saber que toda a padeirada anunciada no título desta postagem se deverá essencialmente à apresentação de um ciclo dedicado ao espectáculo Theatrum Puparum, ou melhor escrevendo, as Aventuras da Padeira de Aljubarrota na irónica e humorada visão concebida por José Gil, Sofia Vinagre e Natacha Costa Pereira para a impagável companhia alcobacense S. A. Marionetas. Esse ciclo de espectáculos iniciar-se-á já na próxima terça-feira, 9 de Janeiro, e ocorrerá, todas as terças e quinta-feiras, no Auditório da Escola Adães Bermudes, em Alcobaça, até 15 de Fevereiro. Este ciclo de espectáculos da S. A. Marionetas é essencialmente dirigido às escolas do concelho, que deverão marcar as suas presenças e os respectivos horários pelo telefone 967086609, no qual terão o prazer de ser atendidos (não pela Padeira de Aljubarrota, mas sim) pela Sofia Vinagre, que é uma rapariga muito mais simpática e muito menos violenta que a histórica e emblemática heroína retratada e eternizada neste bem sucedido espectáculo da S. A. Marionetas...
É ainda de assinalar que a mais famosa companhia teatral alcobacense de sempre não esqueceu também o público em geral (ou seja, os mais velhinhos), ao qual serão especialmente dedicadas duas das sessões previstas: as de 27 de Janeiro e 10 de Fevereiro, ambas às 16 horas. Só falta escrever que ninguém necessita de ir armado para aqueles espectáculos, dado que esta Padeira de Aljubarrota da S. A. Marionetas é muito mais levada para a paródia do que para a pancada (com a desculpa de ainda não lhe ter aparecido nenhum castelhano pela frente...). É de ir!
Saturday, January 06, 2007
Friday, January 05, 2007
BILHETEIRA DO CINE TEATRO DE ALCOBAÇA COMEÇA NOVO ANO COM NOVOS HORÁRIOS
No início deste novo ano o Cine Teatro de Alcobaça tornou público que a sua bilheteira passou a funcionar em novos horários. De terça a sexta-feira, aquela bilheteira estará aberta entre as 13 e 30 e as 18 horas. Nos dias de espectáculo, aquela bilheteira abrirá ao público às 19 e 30 e encerrará 30 minutos após o início do espectáculo. Nos sábados, domingos e feriados em que houver espectáculos à tarde, aquela bilheteira estará aberta entre as 13 e 30 e as 18 horas. Nos domingos em que houver cinema, a bilheteira do Cine Teatro abrirá entre as 15 e 30 e as 16 e 30, reabrindo às 20 para encerrar às 22 horas. Nas segundas-feiras em que houver cinema, aquela bilheteira estará aberta entre as 20 e as 22 horas. O Nas Faldas da Serra faz votos para que aquela bilheteira esteja muito concorrida durante todo o ano!
Wednesday, January 03, 2007
AS AVENTURAS DO COMÉRCIO (DITO) TRADICIONAL NO CENTRO HISTÓRICO DE ALCOBAÇA: UMA ODISSEIA QUE DEVERIA TER O TRÂNSITO AUTOMÓVEL REGULAMENTADO!
Se algum veneziano pensasse abrir uma loja de electrodomésticos na Piazza San Marco, o mínimo que lhe aconteceria era ser considerado louco. O mesmo aconteceria a um holandês que pretendesse abrir uma loja de ferragens na Dam Platz de Amsterdam. Ou a um checo que se lembrasse de abrir uma mercearia na Praça da Cidade Velha de Praga. Aconteceria o mesmo a qualquer administrador bancário que delineasse a abertura de um estabelecimento bancário em qualquer desses locais. Ou a um vereador camarário que tivesse a ideia de autorizar o trânsito automóvel (não regulamentado) na Grand Place de Bruxelas ou na Plaza Mayor de Madrid. Em todos esses locais predominam o chamado comércio cultural, a hotelaria e restauração ou as lojas de (mais ou menos sofisticadas) recordações... Tal como na imensa maioria dos núcleos dos centros históricos das mais importantes cidades europeias. Onde o único trânsito automóvel permitido é o de moradores e o de cargas e descargas para os estabelecimentos comerciais (sempre com horários rígidos e claramente demarcados!).
Tem de ser esse o destino do Rossio de Alcobaça após as suas obras de requalificação e continuo convicto de que serão as leis do mercado a traçar o futuro comercial daquela zona de Alcobaça. É claro que um dos seus actuais grandes problemas é o facto de o comércio maioritariamente existente nessa zona ser o chamado "pequeno comércio familiar", género de comércio que infelizmente já teve o seu tempo e está universalmente ultrapassado no tempo e no espaço... Nos centros das grandes cidades a nível mundial domina já há muitos anos o "comércio das grandes cadeias", que por vezes, chegam a ocupar quarteirões inteiros, como é, por exemplo, o caso dos londrinos Selfridges e Harrod's, entre tantos outros... Estou certo de que a actual crise do comércio alcobacense não foi provocada por aquelas obras de requalificação e sei mesmo (por experiência própria) que ela já existia no final da década de 1980! E tudo o resto me parece pura conversa fiada, para tentar "enfiar Lisboa pelos olhos dentro" a muito boa gente...
Pessoalmente, gostaria que aquela obras de requalificação fossem concluidas ainda durante este ano, motivando assim que Alcobaça pudesse finalmente reflectir sobre essa nova realidade e pensar, caso a caso, como resolver o seu futuro turístico, comercial e vivencial. Teria então chegado o tempo de se acabarem com as desculpas estafadas do dia a dia e arregaçar finalmente as mangas de uma Alcobaça direita ao futuro!
É claro que tudo isso deverá também passar pelo facto de a nossa edilidade ganhar finalmente coragem e tomates para regulamentar o trânsito automóvel na zona histórica da cidade e proibir definitivamente o estacionamento na Praça 25 de Abril! Estou convicto de que a partir desse dia se viverá muito melhor em Alcobaça e esta será uma cidade muito mais rica e racional! E não é por falta de condições políticas que isso não se passa...
Tem de ser esse o destino do Rossio de Alcobaça após as suas obras de requalificação e continuo convicto de que serão as leis do mercado a traçar o futuro comercial daquela zona de Alcobaça. É claro que um dos seus actuais grandes problemas é o facto de o comércio maioritariamente existente nessa zona ser o chamado "pequeno comércio familiar", género de comércio que infelizmente já teve o seu tempo e está universalmente ultrapassado no tempo e no espaço... Nos centros das grandes cidades a nível mundial domina já há muitos anos o "comércio das grandes cadeias", que por vezes, chegam a ocupar quarteirões inteiros, como é, por exemplo, o caso dos londrinos Selfridges e Harrod's, entre tantos outros... Estou certo de que a actual crise do comércio alcobacense não foi provocada por aquelas obras de requalificação e sei mesmo (por experiência própria) que ela já existia no final da década de 1980! E tudo o resto me parece pura conversa fiada, para tentar "enfiar Lisboa pelos olhos dentro" a muito boa gente...
Pessoalmente, gostaria que aquela obras de requalificação fossem concluidas ainda durante este ano, motivando assim que Alcobaça pudesse finalmente reflectir sobre essa nova realidade e pensar, caso a caso, como resolver o seu futuro turístico, comercial e vivencial. Teria então chegado o tempo de se acabarem com as desculpas estafadas do dia a dia e arregaçar finalmente as mangas de uma Alcobaça direita ao futuro!
É claro que tudo isso deverá também passar pelo facto de a nossa edilidade ganhar finalmente coragem e tomates para regulamentar o trânsito automóvel na zona histórica da cidade e proibir definitivamente o estacionamento na Praça 25 de Abril! Estou convicto de que a partir desse dia se viverá muito melhor em Alcobaça e esta será uma cidade muito mais rica e racional! E não é por falta de condições políticas que isso não se passa...
OS PORTUGUESES EM BUSCA DE SI PRÓPRIOS: UMA PÉROLA NA IMPRENSA ANALÓGICA PORTUGUESA
Pois é, prezados visitantes do Nas Faldas da Serra. Esta postagem pretende chamar a vossa atenção para um autêntica pérola hoje publicada na imprensa analógica portuguesa. Trata-se de um ensaio que ocupa quatro páginas na edição hoje publicada pelo imprescindível quinzenário Jornal de Letras, Artes e Ideias. Esse precioso e pertinente ensaio intitula-se Os Portugueses à Procura de Portugal e foi concebido por Vitorino Magalhães Godinho, o mais importante historiador contemporâneo português. Partindo do inquérito/programa Os Grandes Portugueses, promovido pela RTP, aquela figura maior da cultura contemporânea portuguesa delineia um interessantíssimo ensaio sobre o nosso passado, o nosso presente e o nosso futuro... Leiam e depois digam-me o que pensam!
Monday, January 01, 2007
BULGÁRIA E ROMÉNIA ENTRAM NA COMUNIDADE EUROPEIA EM DIA DE NOTÁVEIS CONCERTOS TELEVISIVOS DE ANO NOVO
Assinala-se hoje a adesão oficial da Bulgária e da Roménia à Comunidade Europeia. São dois países que nunca visitei, embora trabalhe com alguns romenos que há alguns anos vieram para Portugal em busca de trabalho, dignidade e uma vida melhor. O Nas Faldas da Serra acredita no futuro da Europa e que essas novas adesões poderão contribuir para uma melhor concretização desse futuro comum, pelo que aqui deixa as suas felicitações a esses nossos dois novos parceiros comunitários e muito especialmente aos seus laboriosos colegas de trabalho romenos. Curiosamente, essa adesão foi também esta manhã enfaticamente saudada pelo maestro indiano Zubin Mehta, enquanto dirigia a Filarmónica de Viena no tradicional e emblemático Concerto de Novo no Salão Dourado do Musikverein, em Viena. O concerto for transmitido em directo esta manhã, pela RTP 1 e foi o excelente espectáculo de sempre, animado pela música dos vários Strauss e do centenário Becker e por uma fabulosa realização da televisão austríaca.
Num dia usualmente preenchido com belíssimos concertos de ano novo televisivamente transmitidos, assistimos também esta manhã, na Rai Uno, ao do Teatro la Fenice de Veneza, espectáculo em que a orquestra residente daquele lindíssimo Teatro foi superiormente dirigida pelo maestro japonês Kazushi Ono, que substitui quase em cima da hora o anteriormente previsto Yuri Temirkanov, assolado por súbita doença. Esse concerto veneziano de Ano Novo foi também notável, nele tendo sido ceestialmente interpretada magnífica música italiana de compositores como Rossini e Verdi.
Contudo, o dia de transmissão televisa de imperdíveis concertos de Ano Novo não se vai ficar por aí, e o Nas Faldas da Serra chama a atenção dos seus visitantes para o que será esta tarde transmitido pelo canal televisivo francês Arte Tv, às 18 horas, que exibirá um previsivelmente notável Concerto de Natal do Teatro Mariinsky, de S. Petersburgo, em que a fabulosa orquestra residente naquela famosa sala de conncertos russa será dirigida pelo convincente e carismático maestro Valery Gergiev, interpretando composições cuja interpretação naquele mítico Teatro fez História!
Num dia usualmente preenchido com belíssimos concertos de ano novo televisivamente transmitidos, assistimos também esta manhã, na Rai Uno, ao do Teatro la Fenice de Veneza, espectáculo em que a orquestra residente daquele lindíssimo Teatro foi superiormente dirigida pelo maestro japonês Kazushi Ono, que substitui quase em cima da hora o anteriormente previsto Yuri Temirkanov, assolado por súbita doença. Esse concerto veneziano de Ano Novo foi também notável, nele tendo sido ceestialmente interpretada magnífica música italiana de compositores como Rossini e Verdi.
Contudo, o dia de transmissão televisa de imperdíveis concertos de Ano Novo não se vai ficar por aí, e o Nas Faldas da Serra chama a atenção dos seus visitantes para o que será esta tarde transmitido pelo canal televisivo francês Arte Tv, às 18 horas, que exibirá um previsivelmente notável Concerto de Natal do Teatro Mariinsky, de S. Petersburgo, em que a fabulosa orquestra residente naquela famosa sala de conncertos russa será dirigida pelo convincente e carismático maestro Valery Gergiev, interpretando composições cuja interpretação naquele mítico Teatro fez História!
Sunday, December 31, 2006
VOTOS DE BOM ANO NOVO
O blogue Nas Faldas da Serra deseja a todos os seus visitantes, leitores, comentadores e amigos um excelente, motivador e poético Ano Novo!
Numa época em que muitos programam a sua noite de passagem de ano para a sua própria casa ou em viagem ao estrangeiro, não nos privamos de aqui deixar duas sugestões para os (ainda) prováveis indecisos quanto ao seu destino nas festividades desta noite: a primeira situa-se em Lisboa, junto ao Castelo de S. Jorge e é no bar Cefalópode, cujas estrelas da exótica noite de passagem de ano serão o guitarrista e cantor japonês Teppe Watanabe e o guitarrista e bandolinista brasileiro André Zambl, que associarão em palco a música japonesa com a bossa nova, o chorinho e o samba. A nossa outra sugestão para esta noite de passagem de ano é para aqueles que não pretendem sair de Alcobaça e realiza-se no Clinic Bar, que a partir da 1 da manhã promete uma noite em sintonia total com Nova Iorque. Neste caso a festa destina-se especificamente a convidados, embora a coisa seja menos complicada do que à primeira vista parece, bastando para isso digitalizar o telefone 262598549 e ver como as coisas correm...
Bom Ano Novo!
Numa época em que muitos programam a sua noite de passagem de ano para a sua própria casa ou em viagem ao estrangeiro, não nos privamos de aqui deixar duas sugestões para os (ainda) prováveis indecisos quanto ao seu destino nas festividades desta noite: a primeira situa-se em Lisboa, junto ao Castelo de S. Jorge e é no bar Cefalópode, cujas estrelas da exótica noite de passagem de ano serão o guitarrista e cantor japonês Teppe Watanabe e o guitarrista e bandolinista brasileiro André Zambl, que associarão em palco a música japonesa com a bossa nova, o chorinho e o samba. A nossa outra sugestão para esta noite de passagem de ano é para aqueles que não pretendem sair de Alcobaça e realiza-se no Clinic Bar, que a partir da 1 da manhã promete uma noite em sintonia total com Nova Iorque. Neste caso a festa destina-se especificamente a convidados, embora a coisa seja menos complicada do que à primeira vista parece, bastando para isso digitalizar o telefone 262598549 e ver como as coisas correm...
Bom Ano Novo!
UM POEMA DE ANO NOVO DE LEVI CONDINHO
ANO BOM
Na noite de Ano Bom
iam os rapazes solteiros
para a casa de Santa Susana
pequeno e vetusto pardieiro
junto à capela de São Gregório Magno
aí se guardavam alfaias religiosas
lanternas de procissões andores bandeiras círios
foguetes sobrados da última festa
levavam vinho e pão
iscas de bacalhau algum chouriço sacado à chaminé
fritavam filhós e velhozes
bebiam púcaros de café de cevada
eram pobres e crédulos às vezes brigões
tratavam-se por alcunhas
discutiam Azevedo Travaços Peyroteu
Félix Rogério Ben David ou o Teixeira/gasogéneo
à meia-noite lançavam os foguetes da passagem
de um ano conformado à modéstia para outro seu igual
e depois percorriam as ruas escuras
esburacadas lamacentas
tocavam chocalhos campainhas harmónicas de beiços
cantavam desajeitadas loas
parando à porta de outros pobres ou remediados
meia dúzia de ricos
alguns são vivos mas a dureza das coisas
decerto os fez esquecer a velha Casa de Santa Susana
nessas noites de infância
algo se adivinhava diferente
para os meus atentos ouvidos
ecos de fantasmas na noite entre o encanto e o terror
dos sons pela noite distendida - a Rua Detrás ou os confins de tudo
rasgões musicais cicatrizes roucas nos primórdios
da madrugada enrolada no colchão de carregão e sumaúma
LEVI CONDINHO
Roteiro Cego, 2001
Na noite de Ano Bom
iam os rapazes solteiros
para a casa de Santa Susana
pequeno e vetusto pardieiro
junto à capela de São Gregório Magno
aí se guardavam alfaias religiosas
lanternas de procissões andores bandeiras círios
foguetes sobrados da última festa
levavam vinho e pão
iscas de bacalhau algum chouriço sacado à chaminé
fritavam filhós e velhozes
bebiam púcaros de café de cevada
eram pobres e crédulos às vezes brigões
tratavam-se por alcunhas
discutiam Azevedo Travaços Peyroteu
Félix Rogério Ben David ou o Teixeira/gasogéneo
à meia-noite lançavam os foguetes da passagem
de um ano conformado à modéstia para outro seu igual
e depois percorriam as ruas escuras
esburacadas lamacentas
tocavam chocalhos campainhas harmónicas de beiços
cantavam desajeitadas loas
parando à porta de outros pobres ou remediados
meia dúzia de ricos
alguns são vivos mas a dureza das coisas
decerto os fez esquecer a velha Casa de Santa Susana
nessas noites de infância
algo se adivinhava diferente
para os meus atentos ouvidos
ecos de fantasmas na noite entre o encanto e o terror
dos sons pela noite distendida - a Rua Detrás ou os confins de tudo
rasgões musicais cicatrizes roucas nos primórdios
da madrugada enrolada no colchão de carregão e sumaúma
LEVI CONDINHO
Roteiro Cego, 2001
Saturday, December 30, 2006
ONDE PÁRA O LOBBY PARA A INCLUSÃO DO MOSTEIRO DE ALCOBAÇA NAS SETE MARAVILHAS DE PORTUGAL?
Já aqui se escreveu sobre a provável e possível inclusão do Mosteiro de Alcobaça entre os sete eleitos na decorrente votação para escolha das Sete Maravilhas de Portugal. Muito se falou e escreveu sobre o assunto, com especial destaque para a blogosfera alcobacense e para a nossa edilidade, que chegou mesmo a intuir haver necessidade e interesse em promover um lobby que influenciasse a eleição do Mosteiro de Alcobaça entre essas Sete Maravilhas de Portugal. Muito se falou e escreveu, mas nada se fez, como é infelizmente habitual nesta "orgulhosa" cidade...
Vem esta introdução a propósito de alguns sinais que evidenciam que os outros candidatos a tal lugar não estão a descansar à sombra da bananeira e a ver os outros passar, promovendo já as suas candidaturas. Um desses sinais é uma votação hoje publicada no suplemento Fugas do diário Público, que divulga uma votação feita na sua redacção e a escolha dos colaboradores daquele jornal. O Mosteiro de Alcobaça não figura entre aqueles sete mais votados e é curioso assinalar que entre eles se encontram nossos vizinhos como o Castelo de Óbidos e o Mosteiro da Batalha... Será então caso para aqui perguntar: Onde pára o tal lobby de (Mosteiro de) Alcobaça?
Vem esta introdução a propósito de alguns sinais que evidenciam que os outros candidatos a tal lugar não estão a descansar à sombra da bananeira e a ver os outros passar, promovendo já as suas candidaturas. Um desses sinais é uma votação hoje publicada no suplemento Fugas do diário Público, que divulga uma votação feita na sua redacção e a escolha dos colaboradores daquele jornal. O Mosteiro de Alcobaça não figura entre aqueles sete mais votados e é curioso assinalar que entre eles se encontram nossos vizinhos como o Castelo de Óbidos e o Mosteiro da Batalha... Será então caso para aqui perguntar: Onde pára o tal lobby de (Mosteiro de) Alcobaça?
UM POEMA (PÓS) NATALÍCIO DE MIGUEL TORGA
HISTÓRIA ANTIGA
Era uma vez, lá na Judeia, um rei.
Feio bicho, de resto;
Uma cara de burro sem cabresto
E duas grandes tranças.
A gente olhava, reparava, e via
Que naquela figura não havia
Olhos de quem gosta de crianças.
E, na verdade, assim acontecia.
Porque um dia,
O malvado
Só por ter o poder de quem é rei
Por não ter coração,
Sem mais nem menos,
Mandou matar quantos eram pequenos
Nas cidades e aldeias da Nação.
Mas,
Por acaso ou milagre, aconteceu
Que, num burrinho pela areia fora,
Fugiu
Daquelas mãos de sangue um pequenino
Que o vivo sol da vida acarinhou;
E bastou
Esse palmo de sonho
Para encher este mundo de alegria;
Para crescer, ser Deus;
E meter no inferno o tal das tranças,
Só porque ele não gostava de crianças.
MIGUEL TORGA
Era uma vez, lá na Judeia, um rei.
Feio bicho, de resto;
Uma cara de burro sem cabresto
E duas grandes tranças.
A gente olhava, reparava, e via
Que naquela figura não havia
Olhos de quem gosta de crianças.
E, na verdade, assim acontecia.
Porque um dia,
O malvado
Só por ter o poder de quem é rei
Por não ter coração,
Sem mais nem menos,
Mandou matar quantos eram pequenos
Nas cidades e aldeias da Nação.
Mas,
Por acaso ou milagre, aconteceu
Que, num burrinho pela areia fora,
Fugiu
Daquelas mãos de sangue um pequenino
Que o vivo sol da vida acarinhou;
E bastou
Esse palmo de sonho
Para encher este mundo de alegria;
Para crescer, ser Deus;
E meter no inferno o tal das tranças,
Só porque ele não gostava de crianças.
MIGUEL TORGA
Friday, December 29, 2006
BRAD MEHLDAU, QUE ACTUARÁ EM JANEIRO NO CINE-TEATRO DE ALCOBAÇA, É A FIGURA DE CAPA DA EDIÇÃO DE JANEIRO DE 2007 DA REVISTA DOWN BEAT
Já se sabe que o notabilizado pianista de jazz Brad Mehldau actuará em Alcobaça, no Cine-Teatro, em 25 de Janeiro de 2007, naquele que certamente se afigura como o primeiro grande concerto do ano na nossa cidade. Para os alcobacenses mais interessados nestas coisas, podemos aqui adiantar que aquele notabilizado pianista norte-americano será a figura de capa da edição de Janeiro de 2007 da conceituadíssima revista de jazz norte-americana Down Beat, que no seu interior incluirá um acertadíssimo artigo de fundo sobre Brad Mehldau, de autoria de Dan Ouellette. Nesse artigo intui-se que "Brad Mehldau é o mais influente artista de jazz da sua geração", o que não deixa de ser um interessante aperitivo para o seu concerto de Alcobaça...
UM POEMA DE NATAL DE GOMES LEAL
OS REIS MAGOS
Nas torres, olhando os astros,
que viajam pelos céus,
Os Reis Magos viram rastros
do avatar de um grande Deus.
Leram em livros profundos,
que a Caldeia e Assíria têm,
que estava a descer dos mundos
um Deus a Jerusalém.
Cheios de assombro à janela,
mudos ficam os seus lábios!
De pé olhando uma estrela,
velam noites os reis sábios.
Não querem mais alimento,
nem com rainhas dormir.
Não tomam ao trono assento!
Não mais volvem a sorrir!
Somente olham, sem cessar,
a branca estrela brilhante
como o ceptro dominante
do rei que vai a reinar.
Abraçam a esposa amada.
Dão as chaves aos herdeiros.
Mandam vir seus escudeiros.
Os seus bordões de jornada.
Despejam os seus erários,
cheios de alvoroço imenso.
Carregam seus dromedários,
d'ouro, de mirra, de incenso.
Passam rios e cidades
cheias de estátuas guerreiras,
palácios, campos, herdades,
cisternas sob as palmeiras.
Seguem a luz do astro belo,
que as estradas lhes clareia,
até chegar ao castelo,
do rei que reina em Judeia.
Chegados ao rei cruel,
que de Herodes nome tem,
bradam: "O Rei de Israel
nasceu em Jerusalém?..."
Fica assombrado o Tetrarca,
Diz-lhes tal nova ignorar.
- "Mas em nome da Santa Arca,
voltai, reis, ao meu solar!"
Seus olhos ficam sombrios:
vê perdido o seu tesouro,
soldados, terras, navios,
da Judeia o ceptro de ouro!
Tomam os reis seus bordões
Levantam as suas tendas,
Carregam suas oferendas,
Demandam novas regiões.
Passam rios e cidades
cheias de estátuas guerreiras,
palácios, campos, herdades,
cisternas sob palmeiras.
Passam colinas, rebanhos,
campos de louras searas,
quando a lua faz desenhos
no chão das estradas claras.
Passam o quente areal
que a palmeira não conforta.
Eis que a estrela pára à porta
de um decrépito curral.
Descem dos seus dromedários,
cheios de pó os reis sábios.
Descarregam seus erários.
- Mas estão mudos seus lábios.
Rojam as barbas nevadas
Sobre o Deus que adormecera.
Com as mãozinhas rosadas
da Mãe nos seios de cera.
Seus olhos sentem assombros
e nadam cheios de choro.
- Rasgam seus mantos de ombros.
- Dão-lhe mirra, incenso e ouro.
Esquecem sua nação
mais seus carros de batalha.
- Seus ceptros rolam na palha!
- Seus diademas no chão!
E erguendo seus olhos graves,
perguntam então - olhando
as pombas voando em bando,
os aldeões, mais as aves.
"É este o rei dos senhores?
Tábua da Lei das rainhas?
Por archeiros - tem pastores.
Por pagens - as andorinhas."
GOMES LEAL
Nas torres, olhando os astros,
que viajam pelos céus,
Os Reis Magos viram rastros
do avatar de um grande Deus.
Leram em livros profundos,
que a Caldeia e Assíria têm,
que estava a descer dos mundos
um Deus a Jerusalém.
Cheios de assombro à janela,
mudos ficam os seus lábios!
De pé olhando uma estrela,
velam noites os reis sábios.
Não querem mais alimento,
nem com rainhas dormir.
Não tomam ao trono assento!
Não mais volvem a sorrir!
Somente olham, sem cessar,
a branca estrela brilhante
como o ceptro dominante
do rei que vai a reinar.
Abraçam a esposa amada.
Dão as chaves aos herdeiros.
Mandam vir seus escudeiros.
Os seus bordões de jornada.
Despejam os seus erários,
cheios de alvoroço imenso.
Carregam seus dromedários,
d'ouro, de mirra, de incenso.
Passam rios e cidades
cheias de estátuas guerreiras,
palácios, campos, herdades,
cisternas sob as palmeiras.
Seguem a luz do astro belo,
que as estradas lhes clareia,
até chegar ao castelo,
do rei que reina em Judeia.
Chegados ao rei cruel,
que de Herodes nome tem,
bradam: "O Rei de Israel
nasceu em Jerusalém?..."
Fica assombrado o Tetrarca,
Diz-lhes tal nova ignorar.
- "Mas em nome da Santa Arca,
voltai, reis, ao meu solar!"
Seus olhos ficam sombrios:
vê perdido o seu tesouro,
soldados, terras, navios,
da Judeia o ceptro de ouro!
Tomam os reis seus bordões
Levantam as suas tendas,
Carregam suas oferendas,
Demandam novas regiões.
Passam rios e cidades
cheias de estátuas guerreiras,
palácios, campos, herdades,
cisternas sob palmeiras.
Passam colinas, rebanhos,
campos de louras searas,
quando a lua faz desenhos
no chão das estradas claras.
Passam o quente areal
que a palmeira não conforta.
Eis que a estrela pára à porta
de um decrépito curral.
Descem dos seus dromedários,
cheios de pó os reis sábios.
Descarregam seus erários.
- Mas estão mudos seus lábios.
Rojam as barbas nevadas
Sobre o Deus que adormecera.
Com as mãozinhas rosadas
da Mãe nos seios de cera.
Seus olhos sentem assombros
e nadam cheios de choro.
- Rasgam seus mantos de ombros.
- Dão-lhe mirra, incenso e ouro.
Esquecem sua nação
mais seus carros de batalha.
- Seus ceptros rolam na palha!
- Seus diademas no chão!
E erguendo seus olhos graves,
perguntam então - olhando
as pombas voando em bando,
os aldeões, mais as aves.
"É este o rei dos senhores?
Tábua da Lei das rainhas?
Por archeiros - tem pastores.
Por pagens - as andorinhas."
GOMES LEAL
Thursday, December 28, 2006
UMA CANTIGA POPULAR DE NATAL MINHOTA
CANTIGA DOS REIS
Santos Reis, santos coroados
Vinde ver quem vos coroou
Foi a Virgem, mãe sagrada,
Quando por aqui passou.
O caminho era torto
Uma estrela vos guiou
Em cima de uma cabana
Essa estrela se pousou.
A cabana era pequena
Não cabiam todos três;
Adoraram Deus-Menino
Cada um por sua vez.
CANTIGA POPULAR DE BARCELOS
Recolhida por Luísa Miranda
Santos Reis, santos coroados
Vinde ver quem vos coroou
Foi a Virgem, mãe sagrada,
Quando por aqui passou.
O caminho era torto
Uma estrela vos guiou
Em cima de uma cabana
Essa estrela se pousou.
A cabana era pequena
Não cabiam todos três;
Adoraram Deus-Menino
Cada um por sua vez.
CANTIGA POPULAR DE BARCELOS
Recolhida por Luísa Miranda
Wednesday, December 27, 2006
UM POEMA DE NATAL DE GIL VICENTE
BRANCA ESTAIS E COLORADA
Branca estais e colorada
Virgem sagrada
Em Belém, vila de amor
da rosa nasceu a flor
Virgem sagrada!
Em Belém, vila de amor
nasceu a rosa do rosal,
Virgem sagrada!
Da rosa nasceu a flor
para nosso Salvador:
Virgem sagrada!
Nasceu a rosa do rosal,
Deus e homem natural:
Virgem sagrada!
GIL VICENTE
Branca estais e colorada
Virgem sagrada
Em Belém, vila de amor
da rosa nasceu a flor
Virgem sagrada!
Em Belém, vila de amor
nasceu a rosa do rosal,
Virgem sagrada!
Da rosa nasceu a flor
para nosso Salvador:
Virgem sagrada!
Nasceu a rosa do rosal,
Deus e homem natural:
Virgem sagrada!
GIL VICENTE
Tuesday, December 26, 2006
NATAL É SEMPRE QUE UM BLOGUE QUISER! O NAS FALDAS DA SERRA CONTINUA A PUBLICAR POESIA DE INSPIRAÇÃO NATALÍCIA ATÉ AO FINAL DO ANO...
BALADA DA MEIA-NOITE
Em fria noite de Inverno
Viu a luz o Deus-Menino,
Nesta noite de Natal,
És meu Sol e meu Destino!
És meu Sol e meu Destino
A aquecer-me na friagem,
Nesta noite de Natal,
Amanhece a tua imagem!
Amanhece a tua imagem
P'ra além da noite estrelada,
Nesta noite de Natal,
És a minha madrugada!
És a minha madrugada,
És a árvore da Vida,
Nesta noite de Natal,
Noutras vidas repartida!
Noutras vidas repartida,
Feitas carne, feitas luz,
Nesta noite de Natal,
- Novos Meninos Jesus!
FERNANDO DE PAMPLONA
Pássaro de Bruma, 1983
Em fria noite de Inverno
Viu a luz o Deus-Menino,
Nesta noite de Natal,
És meu Sol e meu Destino!
És meu Sol e meu Destino
A aquecer-me na friagem,
Nesta noite de Natal,
Amanhece a tua imagem!
Amanhece a tua imagem
P'ra além da noite estrelada,
Nesta noite de Natal,
És a minha madrugada!
És a minha madrugada,
És a árvore da Vida,
Nesta noite de Natal,
Noutras vidas repartida!
Noutras vidas repartida,
Feitas carne, feitas luz,
Nesta noite de Natal,
- Novos Meninos Jesus!
FERNANDO DE PAMPLONA
Pássaro de Bruma, 1983
NAS FALDAS DA SERRA COMEMORA HOJE O SEU 1º ANIVERSÁRIO
Pois é. Parece que começámos ontem. Todavia, já passou um ano após a publicação da nossa primeira postagem. Sendo assim, agradecemos encarecidamente a quem durante este ano nos visitou, leu, comentou e divulgou. Aproveitamos para recordar duas características que pensamos essenciais neste blogue: o Nas Faldas da Serra é exclusivamente um blogue de texto e pretende desde o seu início não ser um blogue cinzent(ã)o... Prometemos (aqui) continuar!
Monday, December 25, 2006
UM POEMA DE NATAL DE VITORINO NEMÉSIO
NATAL CHIQUE
Percorro o dia, que esmorece
Nas ruas cheias de rumor;
Minha alma vã desaparece
Na minha pressa e pouco amor.
Hoje é Natal. Comprei um anjo,
Dos que anunciam no jornal;
Mas houve um etéreo desarranjo
E o efeito em casa saiu mal.
Valeu-me um príncipe esfarrapado
A quem dão coroas no meio disto,
Um moço doente, desanimado...
Só esse pobre me pareceu Cristo.
VITORINO NEMÉSIO
Percorro o dia, que esmorece
Nas ruas cheias de rumor;
Minha alma vã desaparece
Na minha pressa e pouco amor.
Hoje é Natal. Comprei um anjo,
Dos que anunciam no jornal;
Mas houve um etéreo desarranjo
E o efeito em casa saiu mal.
Valeu-me um príncipe esfarrapado
A quem dão coroas no meio disto,
Um moço doente, desanimado...
Só esse pobre me pareceu Cristo.
VITORINO NEMÉSIO
Sunday, December 24, 2006
UM POEMA DE NATAL DE VINICIUS DE MORAES
POEMA DE NATAL
Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos -
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será a nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos -
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez, de amor
Uma prece por quem se vai -
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte -
De repente nunca mais, esperaremos...
Hoje a noite é jovem, da morte, apenas
Nascemos, imensamente.
VINICIUS DE MORAES
O Operário em Construção, 1975
Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos -
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será a nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos -
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez, de amor
Uma prece por quem se vai -
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte -
De repente nunca mais, esperaremos...
Hoje a noite é jovem, da morte, apenas
Nascemos, imensamente.
VINICIUS DE MORAES
O Operário em Construção, 1975
Saturday, December 23, 2006
UM POEMA DE NATAL DE FERNANDO PESSOA
NATAL...
Natal... Na província neva.
Nos lares aconchegados,
Um sentimento conserva
Os sentimentos passados.
Coração oposto ao mundo,
Como a família é verdade!
Meu pensamento é profundo,
'Stou só e sonho saudade.
E como é branca de graça
A paisagem que não sei,
Vista de trás da vidraça
Do lar que nunca terei!
FERNANDO PESSOA
Notícias Ilustrado, 30 de Dezembro de 1928
Natal... Na província neva.
Nos lares aconchegados,
Um sentimento conserva
Os sentimentos passados.
Coração oposto ao mundo,
Como a família é verdade!
Meu pensamento é profundo,
'Stou só e sonho saudade.
E como é branca de graça
A paisagem que não sei,
Vista de trás da vidraça
Do lar que nunca terei!
FERNANDO PESSOA
Notícias Ilustrado, 30 de Dezembro de 1928
Friday, December 22, 2006
UM POEMA DE NATAL DE GIUSEPPE UNGARETTI
NATAL
Não me apetece
afundar-me
num novelo
de estradas
É tanto
este cansaço
sobre os ombros
Deixai-me assim
como uma
coisa
pousada
a um
canto
e abandonada
Aqui
não se sente
senão
o bom calor
Estou
com as quatro
cabriolas
de fumo
do velho lar
GIUSEPPE UNGARETTI
Sentimento do Tempo, 1933
Não me apetece
afundar-me
num novelo
de estradas
É tanto
este cansaço
sobre os ombros
Deixai-me assim
como uma
coisa
pousada
a um
canto
e abandonada
Aqui
não se sente
senão
o bom calor
Estou
com as quatro
cabriolas
de fumo
do velho lar
GIUSEPPE UNGARETTI
Sentimento do Tempo, 1933
Thursday, December 21, 2006
UM POEMA DE NATAL DE JOÃO MIGUEL FERNANDES JORGE
NATAL, NATAL DE OITENTA E OITO
Um monte alto de musgo
e um atalho de areão
subindo para a noite
de dezembro.
Há sempre um pinheiro
uma grande árvore
com as raízes
e o tronco
na sombra do amor.
O lugar
onde o deus
tinha armado o seu presépio
ficava assentado
num valezinho verde de musgo e branco de
neve
e folhas mortas do inverno.
Os olhos seguiam o rio
das estrelas
e a luz fazia mistério
do claro choro daquele menino
entre vaca e burro
mulher e homem.
Contasse o segredo do coração e
haveria conversa bastante para a
voz melancólica
de um pastor
que passara a infância sem brincar
e não pudera ser alegre
nem triste.
Mas o pastor é o guarda de ovelhas,
a própria vida adentro da
floresta
o anjo, o anjo perdeu a asa no riacho
lamacento
colhendo baga vermelha de azevinho.
E o deus,
vestido de recém-nascido, lançava
lança o olhar
à voz da fria noite
e do dezembro escuro - houvesse
ou não vida de homem nele -, dá a
Roma
a razão do seu corpo
p'lo destino de nossa alma e morte.
Um monte alto de musgo
era uma sombra
era um deus
sombrio de dezembro?
JOÃO MIGUEL FERNANDES JORGE
O Independente, 23 de Dezembro de 1988
Um monte alto de musgo
e um atalho de areão
subindo para a noite
de dezembro.
Há sempre um pinheiro
uma grande árvore
com as raízes
e o tronco
na sombra do amor.
O lugar
onde o deus
tinha armado o seu presépio
ficava assentado
num valezinho verde de musgo e branco de
neve
e folhas mortas do inverno.
Os olhos seguiam o rio
das estrelas
e a luz fazia mistério
do claro choro daquele menino
entre vaca e burro
mulher e homem.
Contasse o segredo do coração e
haveria conversa bastante para a
voz melancólica
de um pastor
que passara a infância sem brincar
e não pudera ser alegre
nem triste.
Mas o pastor é o guarda de ovelhas,
a própria vida adentro da
floresta
o anjo, o anjo perdeu a asa no riacho
lamacento
colhendo baga vermelha de azevinho.
E o deus,
vestido de recém-nascido, lançava
lança o olhar
à voz da fria noite
e do dezembro escuro - houvesse
ou não vida de homem nele -, dá a
Roma
a razão do seu corpo
p'lo destino de nossa alma e morte.
Um monte alto de musgo
era uma sombra
era um deus
sombrio de dezembro?
JOÃO MIGUEL FERNANDES JORGE
O Independente, 23 de Dezembro de 1988
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