| | "MisturaPura" é a ideia musical de Mick Mengucci, nascido em Rimini, Itália e residente em Lisboa, depois de ter viajado por lugares como: Bahia, Havana, São Francisco - lugares e gentes visitadas e vividas que tanto influenciaram a sua maneira de tocar violão, compor e cantar. Trazendo no coração e na alma o tesouro das músicas populares dessas culturas, a intenção musical da MisturaPura encontrou casa na mescla cultural de Lisboa. |
| Em Lisboa, colabora e cria com músicos de Cabo Verde, Angola e Brasil. A música produzida é um funk inspirado nas rítmicas brasileiras (samba, afoxé, baião e maracatu), cubanas (som e rumba), de Cabo Verde (coladeira, batuque e funaná), de Angola (semba e kilapanga), colorido com harmonias e atmosferas estilo bossa nova. Embora os temas da MisturaPura sejam obra cantautoral, o arranjo é de estilo jazzístico de maneira que, na atuação ao vivo, esteja sempre presente um componente de improviso controlado - como se fosse uma peça de teatro e uma jam ao mesmo tempo. As letras, são principalmente em inglês, italiano e português, mas também em francês, alemão,espanhole crioulo. Mick Misturapura Mengucci actua neste sábado, 14 de Abril, em Lisboa, no Sítio do Cefalópode, a partir das 23 horas, mostrando novamente aos lisboetas (e não só) a sua vibrante fusão experimental/latin/afro beat... É de ir! | |
Saturday, April 14, 2007
MICK MISTURAPURA MENGUCCI ACTUA ESTA NOITE EM LISBOA, NO SÍTIO DO CEFALÓPODE
INAPA LANÇOU COLECÇÃO GRANDES AMORES DE PORTUGAL, QUE INCLUI LINDA IGNÊS, UM LIVRO SOBRE OS AMORES DE PEDRO E INÊS
Rocha Martins foi jornalista, escritor e membro da Academia de Letras, tendo-se notabilizado como precursor do romace histórico português do século XX e sido autor de mais de cinquenta obras literárias, entre novelas e crónicas históricas.
Os 13 volumes da colecção Os Grandes Amores de Portugal têm o formato de livros de bolso e são disponibilizados ao público numa caixa cartonada.
Friday, April 13, 2007
EDITORIAL CAMINHO CONTINUA A PROMOVER SEMANA DO LIVRO INFANTIL NO SEU SITE DA INTERNET
Os temas escolhidos para esta imperdível Feira do Livro foram os seguintes: 09 de Abril - Música; 10 de Abril - Ilustradores; 11 de Abril - Livros premiados; 12 de Abril - Autores que escrevem para adultos também escrevem para crianças; 13 de Abril - Ambiente; 14 de Abril - Guerra / Paz; 15 de Abril - Clássicos.
Os livros aconselhados dia a dia nesta Semana do Livro Infantil promovida pela Editorial Caminho têm tido em especial consideração livros aconselhados no Plano Nacional de Leitura. Até ao próximo domingo continua a valer a pena consultar o site da Caminho (www.editorial-caminho.pt) e encomendar os livros que se pretendam comprar, aproveitando esta excelente oportunidade. Vale?
DJ'S BROTO VERBO E DISORDER REINAM DURANTE ESTE FIM-DE-SEMANA EM ALCOBAÇA, NO CLINIC
Nesta noite de sexta-feira 13 será também lançada a edição de Abril da cada vez mais indispensável revistinha Verniz. A não perder!
Na noite de sábado, 14 de Abril, o Clinic volta a não deixar os seus reais créditos por mãos alheias, entregando a sua cabine de som à dupla de DJ'S Disorder. Estes simpáticos desordeiros das mais afamadas mesas de mistura são vistos pelo Clinic como uns verdadeiros Santos da Casa. Atrás dos pratos fazem milagres, a música é sempre requintada e com um toque de modernidade que não só apontam caminhos como nos fazem repensar o passado. Zé Pedro Moura e Dexter dupla perfeita para personificar Lux @ Clinic. Grande fim-de-semana em perspectiva, não é?
LOTO TOCAM HOJE À NOITE EM ALCOBAÇA, NO CINE-TEATRO
Thursday, April 12, 2007
DIVULGADOS NÚMEROS DE TELEFONE E SMS ONDE SE PODERÁ VOTAR NO MOSTEIRO DE ALCOBAÇA COMO UMA DAS 7 MARAVILHAS DE PORTUGAL
Parece que alguém já decidiu fazer alguma coisa nesse sentido, dado que hoje encontrei hoje á disposição do público alcobacense uns folhetos acabadinhos de imprimir, em que se divulgava o facto de além da Internet também se poder votar telefonicamente ou por SMS naquela eleição. Segundo esse interessante e útil folheto, que quiser votar por telefone no Mosteiro de Alcobaça deverá ligar 760100077 e digitar o código 12, e quem quiser votar por SMS deverá escrever no seu telemóvel PORTUGAL 12 PARA 3077. Vamos então a essa empreitada, caros visitantes que até esta data ainda não votaram no Mosteiro de Alcobaça, recordando também que o site dedicado àquela votação tem o endereço www.7maravilhas.pt
WINTER MUSIC CONFERENCE PARTY A 14 DE ABRIL EM ESPINHO, NA WHY NOT?
Wednesday, April 11, 2007
DEOLINDA, UMA ALFACINHA DE GEMA COM OS TOMATES BEM NO SÍTIO, VAI CANTAR AO MAXIME!
Contado ninguém acredita! DEOLINDA estreia-se nos grandes palcos mundiais!
As Produções Banana têm o prazer e o orgulho* de apresentar à sociedade a sua filha mais nova, Deolinda! E que filha! Deolinda é herdeira de uma linhagem de bailaricos e desgarradas, altiva e destemida, uma alfacinha de gema com os tomates no sítio! Um fenómeno castiço e vivaço surripiado ao Fado, colorido e popular, fresco que nem uma verdadeira alface! Deolinda encanta como ninguém: tem um futuro brilhante pela frente e o mundo inteiro à sua espera! Mas por agora está perdida de amores pelo seu país natal, e quer dizê-lo cantando, a toda a gente!
Deolinda canta as palavras mais inspiradas desde Camões e Bocage, e as suas melodias abalam o Portugal mais profundo, com epicentro no épico centro da Lisboa castiça e canalha, de chinela no pé, e da laia do “Vasquinho da Anatomia” e do “Costa do Castelo”!
Deolinda é o nome de quem se falará em grandes parangonas num futuro próximo. Por isso esta é uma oportunidade única para presenciar o grande acontecimento, e depois poder dizer com orgulho: «Nós vimos a Deolinda a partir a loiça toda no Maxime, ainda não tinham gravado o primeiro disco! E foi do camandro! Contado ninguém acredita!»
* Leia-se: “Na realidade babam-se, extasiam-se, liquefazem-se, benzem-se ao apresentar…”
Palavras para quê? A Deolinda e o Maxime são (mesmo) Portugal no seu melhor!
UM JANTAR COMEMORATIVO DO 33º ANIVERSÁRIO DO 25 DE ABRIL, EM LISBOA, NO MERCADO DA RIBEIRA
A ementa será a seguinte:- entradas de salgados em miniatura, azeitonas e pão de trigo,- caldo verde,- escalopes de novilho com arroz, batata corada, legumes e salada, - mousse de chocolate ou salada de frutas,- vinho branco ou tinto da casa, imperial, sumos e águas; Quem preferir dieta (peixe ou carne grelhada)ou prato vegetariano (piza) deve indicá-lo quando se inscrever.
É sempre (muito) bom comemorar o 25 de Abril em (muito) boas companhias e em plena liberdade!
Tuesday, April 10, 2007
CARTOON'S DE MÍMICA DE JOSÉ GIL E ISRAEL PEREIRA ENAMORAM ALCOBAÇA, NO CINE-TEATRO, NA NOITE DE SÁBADO, 14 DE ABRIL
Em palco estarão os fascinantes "CARTOON´S DE MÍMICA", um original de José Gil e Israel Pereira. O impagável José Gil é o responsável pela encenação e coreografia deste espectáculo, que conta com música originalmente concebida para esse efeito pelo imparável Israel Pereira , tocada ao vivo pelo próprio em palco. É claro que a interpretação mímica deste espectáculo em palco é da responsabilidade do mimo José Gil, que certamente nos encherá de miminhos...
Depois de percorrer ruas e praças um pouco por todo o lado, este projecto chega agora aos principais palcos, transpondo assim a experiência adquirida num ambiente descontrolado que é a rua, para um palco onde a arte do gesto serve como base a uma série de cartoon´s , a palavra é substituída pelos gestos como forma de comunicação, o som da guitarra de Israel Pereira ilustra esta tão antiga forma de representação, onde a interacção com o público e o humor marcam presença constantes.
Cartoon´s de Mímica estreou em 1990, em Alcobaça, e percorreu o pais até 1994, voltando a cena em 2005 desta vez para ficar.
Entre outros locais esteve em Coimbra. Foi assim que o “Diário de Coimbra" o descreveu: “…trouxeram para a ribalta figuras que fazem da imaginação um instrumento de trabalho, e José Gil é um dos que da linguagem gestual faz um espectáculo por inteiro.”
“…é uma Pantomima encenada, cenografada e interpretada por José Gil, artista cuja plasticidade, sensibilidade, humor e empatia estiveram bem presentes, numa peça que se vai sempre renovando, à medida que vai sendo representada…” - Jornal -A Voz de Alcobaça-
“…A Mímica das Marionetas – a sala está escura. No palco, uma mala vermelha dá vida ao auditório. O som de uma viola anima o espectáculo. O marionetista José Gil pinta o rosto de branco e as sobrancelhas de preto. Silêncio…os artistas estão a trabalhar.” -Semanário -Região de Cister-
"É mesmo um espectáculo imperdível, indizível, inverosímil, irrepreensível e sabe-se lá que mais: um autêntico mimo que os alcobacenses não deverão deixar passar em branco! Faltar é pecado! Hummm..." Blogue -Nas Faldas da Serra-
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FEIRA LAICA NO MERCADO DE OEIRAS NO PRÓXIMO FIM-DE-SEMANA
Dia 15, domingo, abertura das portas às 13h e durante toda a tarde dj sets com Giosé benvenuto a.k.a Jolly_k_Joker ( spaghetticrew@gmail.com ) + Luís Van Seixas (Thisco/Sci Fi Industries).
Não é por alguins deles serem meus amigos e um até ser de Alcobaça, mas a verdade é que esta Feira Laica promete voltar a ser um acontecimento inesquecível... Pelo menos para quem lá der uma saltada e se divertir à grande e à francesa! Ou será à oirense?
Monday, April 09, 2007
ENCONTRO NACIONAL DE MULHERES, EM COIMBRA, EM 14 DE ABRIL
Além disso, será apresentado o Documentário “Vozes e Olhares Femininos”, construído durante a preparação do encontro, que incluiu vozes femininas de diferentes localizações geográficas do país e que, em encontros e diálogos, partilharam Histórias de Vida, Olhares e Saberes.
Pode encontrar-se tudo sobre o Encontro em: http://www.ajpaz.org.pt/accao2007.htm
A participação será gratuita. No entanto, deverá ser feita a inscrição nesse evento, enviando nome completo, e-mail, telefone e Organização/Associação (se aplicável) para:
AJP - Acção para a Justiça e Paz
Rua São João - 3130-080 Granja do Ulmeiro – Portugal
crocodila@ajpaz.org.pt
(TM) 96 2477031 (T) 239 642815 (F) 239 642816
É mesmo muito importante estar presente!
Sunday, April 08, 2007
TVI DIVULGOU ONTEM OS 10 MONUMENTOS MAIS VOTADOS ATÉ AO MOMENTO NA ELEIÇÃO DAS 7 MARAVILHAS DE PORTUGAL. SEM MOSTEIRO DE ALCOBAÇA....
Esta divulgação feita pela TVI será a única até ao final dessa votação, que ocorrerá precisamente de hoje a 90 dias. Os dez mais votados até esta data naquela eleição são os seguintes, por ordem alfabética:
Castelo de Almourol
Castelo de Guimarães
Castelo de Óbidos
Convento de Cristo em Tomar
Convento e Basílica de Mafra
Mosteiro da Batalha
Mosteiro dos Jerónimos
Palácio Nacional da Pena
Templo Romano de Évora
Torre de Belém
O Nas Faldas da Serra continua a torcer pela eleição do Mosteiro de Alcobaça e espera que os fantasmas e os umbigos anteriormente referidos façam muito mais do que o que fizeram (ou será que não fizeram?) até esta data por essa eleição... Força nessa verga, Mosteiro de Alcobaça!
Saturday, April 07, 2007
CONTRATENOR ALCOBACENSE LUIS PEÇAS APRESENTA CD AVE MARIA NO MOSTEIRO DE ALCOBAÇA
Friday, April 06, 2007
MAIS NOVIDADES SOBRE O CISTERMÚSICA 2007, EM PRIMEIRÍSSIMA MÃO
A outra novidade que agora divulgo tem a ver com o facto de a actual direcção artística do festival ter (felizmente) decidido dar este ano muito maior (e bem merecida) atenção à música culta contemporânea que nos anos anteriores, aqui se anaunciando, por exemplo, que algumas das pérolas da música culta contemporânea que este ano iremos ouvir no Cistermúsica serão de autoria do notável compositor húngaro György Kurtag (infelizmente pouco divulgado em Portugal). O actual director artístico do Cistermúsica, Alexandre Delgado, parece estar também este ano decidido a dar a volta ao anterior enquadramento da sua programação, voltando o festival a encomendar composições para nele serem divulgadas em estreia mundial, como consta ir ser este ano o caso de uma composição para marimba e violoncelo do compositor contemporâneo português Nuno Corte-Real que será interpretada no Cistermúsica 2007 pelo relevante percussionista alcobacense Manuel Campos (que presentemente se especializa também em cimbalão, em Estrasburgo).
Esperando que os nossos "investigadores" vão continuando a saber "coisas" sobre o Cistermúsica 2007, s ó aqui posso escrever que me começa a "cheirar" que a "coisa" Cistermúsica promete mesmo muito para este ano!
PERCUSSIONISTA PORTUGUÊS PEDRO CARNEIRO GRAVOU PARA A IMPORTANTE EDITORA ALEMÃ ECM
Está já programada a segunda colaboração de Pedro Carneiro com a ECM, marcada para Novembro deste ano, quando Pedro Carneiro participar em Berlim na gravação do Marimba/Vibraphone Concerto do compositor austríaco Michael Mantler. Essa composição de Michael Mantler foi escrita para um solista tocando simultaneamente marimba e vibrafone e orquestra de câmara, sendo uma das composições que eu aguardo com mais curiosidade e expectativa, não só pela participação de Pedro Carneiro como pelo facto de ainda me recordar do (mesmíssimo) Michael Mantler quando durante a década de 1970 liderava uma das mais importantes orquestras do free jazz, a Jazz Composer's Orchestra.
Parabéns Pedro Carneiro! Continue a notabilizar a arte contemporânea portuguesa por esse mundo fora! Força!
FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN MOSTRA MÚSICA PORTUGUESA CONTEMPORÂNEA EM LONDRES E NA REPÚBLICA DA IRLANDA
A Fundação Calouste Gulbenkian continua a apresentar regularmente a arte contemporânea portuguesa nas Ilhas Britânicas, através do seu Anglo-Portuguese Cultural Relations Programme. Durante o mês de Abril, aquela entidade e aquela programação vão dedicar particular atenção à área pop/rock, com os Moonspell a actuar já na próxima terça-feira em Londres, na mítica Koko. A partir de 20 de Abril, essa atenção vira-se de armas (musicais) e bagagens para a República da Irlanda, apresentando uma série de concertos de música culta contemporânea em Belfast e em Dublin. A coisa promete, e reza do seguinte modo:
10 Apr 8pm
| Koko London
| Moonspell play in London. |
| 20 Apr 7.30pm
| SARC Belfast
| Miso Ensemble presents Salt Itinerary, a multimedia opera.
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| 20 Apr 10pm
| SARC Belfast
| Portuguese Electronic Music: Pedro M. Rocha & André Sier - To a World Free From Countries..., António Sousa Dias – TêTrês, Isabel Pires – Sideral, Tomás Henriques - Time Warp, António Ferreira - A Romance of Rust.
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| 21 Apr 7.30pm
| SARC Belfast
| Smith Quartet plays the music of Emmanuel Nunes, Pedro Rebelo, Miguel Azguime and João Pedro Oliveira.
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| 24 Apr 7pm
| Project Arts Centre Dublin
| Miso Ensemble presents Salt Itinerary, a multimedia opera.
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| 24 Apr 8.30pm
| Project Arts Centre Dublin
| Smith Quartet plays the music of Emmanuel Nunes, Pedro Rebelo, Miguel Azguime and João Pedro Oliveira. |
Thursday, April 05, 2007
CEDECE E CINE-TEATRO DE ALCOBAÇA APRESENTAM ESTA NOITE ESPECTÁCULO DE BAILADO CONTEMPORÂNEO COM ENTRADA GRÁTIS
Wednesday, April 04, 2007
EDITORIAL CAMINHO LANÇA NOVO LIVRO DE ESTÓRIAS DO ESCRITOR ANGOLANO ONDJAKI: OS DA MINHA RUA
Nós Chorámos Pelo Cão Tinhoso
Para a Isaura. Para o Luís B. Honwana
Foi no tempo da oitava classe, na aula de português.
Eu já tinha lido esse texto dois anos antes mas daquela vez a estória me parecia mais bem contada com detalhes que atrapalhavam uma pessoa só de ler ainda em leitura silenciosa - como a camarada professora de português tinha mandado. Era um texto muito conhecido em Luanda: "Nós matámos o Cão Tinhoso".
Eu lembrava-me de tudo: do Ginho, da pressão de ar, da Isaura e das feridas penduradas do Cão Tinhoso. Nunca me esqueci disso: um cão com feridas penduradas. Os olhos do cão. Os olhos da Isaura. E agora de repente me aparecia tudo ali de novo. Fiquei atrapalhado.
A camarada professora seleccionou uns tantos para a leitura integral do texto. Assim queria dizer que íamos ler o texto todo de rajada. Para não demorar muito, ela escolheu os que liam melhor. Nós, os da minha turma da oitava, éramos cinquenta e dois. Eu era o número cinquenta e um. Embora noutras turmas tentassem arranjar alcunhas para os colegas, aquela era a minha primeira turma onde ninguém tinha escapado de ser alcunhado. E alguns eram nomes de estiga violenta.
Muitos eram nomes de animais: havia o Serpente, o Cabrito, o Pacaça, a Barata-da-Sibéria, a Joana Voa-Voa, a Gazela, e o Jacó, que era eu. Deve ser porque eu mesmo falava muito nessa altura. Havia o É-tê, o Agostinho-Neto, a Scubidú e mesmo alguns professores também não escapavam da nossa lista. Por acaso a camarada professora de português era bem porreira e nunca chegámos a lhe alcunhar.
Os outros começaram a ler a parte deles. No início, o texto ainda está naquela parte que na prova perguntam qual é e uma pessoa diz que é só introdução. Os nomes dos personagens, a situação assim no geral, e a maka do cão. Mas depois o texto ficava duro: tinham dado ordem num grupo de miúdos para bondar o Cão Tinhoso. Os miúdos tinham ficado contentes com essa ordem assim muito adulta, só uma menina chamada Isaura afinal queria dar protecção ao cão. O cão se chamava Cão Tinhoso e tinha feridas penduradas, eu sei que já falei isto, mas eu gosto muito do Cão Tinhoso.
Na sexta classe eu também tinha gostado bué dele e eu sabia que aquele texto era duro de ler. Mas nunca pensei que umas lágrimas pudessem ficar tão pesadas dentro duma pessoa. Se calhar é porque uma pessoa na oitava classe já cresceu um bocadinho mais, a voz já está mais grossa, já ficamos toda hora a olhar as cuecas das meninas "entaladas na gaveta", queremos beijos na boca mais demorados e na dança de slow ficamos todos agarrados até os pais e os primos das moças virem perguntar se estamos com frio mesmo assim em Luanda a fazer tanto calor. Se calhar é isso, eu estava mais crescido na maneira de ler o texto, porque comecei a pensar que aquele grupo que lhes mandaram matar o Cão Tinhoso com tiros de pressão de ar, era como o grupo que tinha sido escolhido para ler o texto.
Não quero dar essa responsabilidade na camarada professora de português, mas foi isso que eu pensei na minha cabeça cheia de pensamentos tristes: se essa professora nos manda ler este texto outra vez, a Isaura vai chorar bué, o Cão Tinhoso vai sofrer mais outra vez e vão rebolar no chão a rir do Ginho que tem medo de disparar por causa dos olhos do Cão Tinhoso.
O meu pensamento afinal não estava muito longe do que foi acontecendo na minha sala de aulas, no tempo da oitava classe, turma dois, na escola Mutu Ya Kevela, no ano de mil novecentos e noventa: quando a Scubidú leu a segunda parte do texto, os que tinham começado a rir só para estigar os outros, começaram a sentir o peso do texto. As palavras já não eram lidas com rapidez de dizer quem era o mais rápido da turma a despachar um parágrafo. Não. Uma pessoa afinal e de repente tinha medo do próximo parágrafo, escolhia bem a voz de falar a voz dos personagens, olhava para a porta da sala como se alguém fosse disparar uma pressão de ar a qualquer momento. Era assim na oitava classe: ninguém lia o texto do Cão Tinhoso sem ter medo de chegar ao fim. Ninguém admitia isso, eu sei, ninguém nunca disse, mas bastava estar atento à voz de quem lia e aos olhos de quem escutava.
O céu ficou carregado de nuvens escurecidas. Olhei lá para fora à espera de uma trovoada que trouxesse uma chuva de meia-hora. Mas nada.
Na terceira parte até a camarada professora começou a engolir cuspe seco na garganta bonita que ela tinha, os rapazes mexeram os pés com nervoso miudinho, algumas meninas começaram a ficar de olhos molhados. O Olavo avisou: "quem chorar é maricas então!" e os rapazes todos ficaram com essa responsabilidade de fazer uma cara como se nada daquilo estivesse a ser lido.
Um silêncio muito estranho invadiu a sala quando o Cabrito se sentou. A camarada professora não disse nada. Ficou a olhar para mim. Respirei fundo.
Levantei-me e toda a turma estava também com os olhos pendurados em mim. Uns tinham-se virado para trás para ver bem a minha cara, outros fungavam do nariz tipo constipação de cacimbo. A Aina e a Rafaela que eram muito branquinhas estavam com as bochechas todas vermelhas e os olhos também, o Olavo ameaçou-me devagar com o dedo dele a apontar para mim. Engoli também um cuspe seco porque eu já tinha aprendido há muito tempo a ler um parágrafo depressa antes de o ler em voz alta: era aquela parte do texto em que os miúdos já não têm pena do Cão Tinhoso e querem lhe matar a qualquer momento. Mas o Ginho não queria. A Isaura não queria.
A camarada professora levantou-se, veio devagar para perto de mim, ficou quietinha. Como se quisesse me dizer alguma coisa com o corpo dela ali tão perto. Aliás, ela já tinha dito, ao me escolher para ser o último a fechar o texto, e eu estava vaidoso dessa escolha, o último normalmente era o que lia já mesmo bem. Mas naquele dia, com aquele texto, ela não sabia que em vez de me estar a premiar, estava a me castigar nessa responsabilidade de falar do Cão Tinhoso sem chorar.
- Camarada professora - interrompi numa dificuldade de falar. - Não tocou para a saída?
Ela mandou-me continuar. Voltei ao texto. Um peso me atrapalhava a voz e eu nem podia só fazer uma pausa de olhar as nuvens porque tinha que estar atento ao texto e às lágrimas. Só depois o sino tocou.
Os olhos do Ginho. Os olhos da Isaura. A mira da pressão de ar nos olhos do Cão Tinhoso com as feridas dele penduradas. Os olhos do Olavo. Os olhos da camarada professora nos meus olhos. Os meus olhos nos olhos da Isaura nos olhos do Cão Tinhoso.
Houve um silêncio como se tivessem disparado bué de tiros dentro da sala de aulas. Fechei o livro.
Olhei as nuvens.
Na oitava classe, era proibido chorar à frente dos outros rapazes.
(Os da Minha Rua, Editorial Caminho, Lisboa, 2007)
Ondjaki é um dos escritores por quem o Nas Faldas da Serra continua a apostar uma perna... Vale?
MANUEL JOÃO VIEIRA E OS SEUS CORAÇÕES DE ATUM ARMAM NOVA PEIXEIRADA EM LISBOA, NO MAXIME!
Ei-los que voltam! Trazidos de novo pela corrente do Golfo, e depois de devidamente certificados pelo Aquário de Monterey (vá-se lá saber porquê…), estão de volta às costas da Lusitânia os mais simpáticos atuns do cardume AT 1. Sabiam que estes predadores marotos, durante a sua roto-viagem formaram uma tuna endotérmica? E vêm direitinhos para Lisboa, prontos para mais um festim musical, no dia 7 de Abril!
Pois esta tuna, que na América se chama Tuna Fixe, não pode usar este nome na Europa, por imposição do Aquário de Monterey (vá-se lá saber porquê…). Mas assim como os Beijinhos e Parabéns se passaram a chamar Xutos & Pontapés, a Tuna Fixe também não teve problemas em assumir a também simpática e endotérmica designação de Corações de Atum! Assim, no términus da sua tournée altântica, os Corações de Atum não tocarão no Pavilhão Atlântico nem no Oceanário (ordens do Aquário de Monterey, vá-se lá saber porquê…), mas sim no novo Atunário Maxime!
Na bagagem, isto é, na barbatana, trazem música da boa e barricas de ovas moles. Isto com uma jeropigazinha a acompanhar é do melhor! Convidamos todas as varinas de todas as colinas a virem comprovar a frescura das nossas larvas pelágicas. Vai ser a maior peixeirada (vá-se lá saber porquê…)!! Os Corações de Atum têm como supremo lider o imparável Manuel João Vieira e como supremos seguidores Nuno Ferreira, João Custódio, Marco Franco e Rui Caetano. A rematar esta noitada aquática, o sempre fresco e bem disposto MD Gimba!
Essa enormísima peixeirada decorrerá no próximo sábado, 7 de Abril 07, no imparável Cabaret Maxime, com abertura de portas às 22h00 e bilhetes a €10 com oferta de bebida. O Cabaret Maxime situa-se na Praça da Alegria, Nº 58, em Lisboa e quem quiser marcar uma mesinha basta telefonar para 213467090 ou 916351133. Será sempre muito bem atendido e pode estar certo de que enquanto lá estiver não se vai lembrar das subidas da taxas de juros... Garanto!