Assisti ontem, no Auditório da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Leiria, ao concerto inaugural da 24ª edição do Festival Música em Leiria. Em palco esteve o espectacular Lakatos Ensemble, agrupamento húngaro dirigido pelo fabuloso violinista Roby Lakatos, que passeou a sua indiscutível classe por aquele palco, num espectáculo estruturado em torno de uma fascinante miscigenação entre a música húngara e o jazz clássico (se é que assim lhe posso chamar...). Não faltaram também temas de autoria de Roby Lakatos, Michel Legrand e Charles Trenet, entre outros, tendo o concerto culminado com dois irresistíveis encores encorpados em torno do tradicional Olhos Negros e da portuguesíssima Coimbra de Raúl Ferrão!
Todavia, o que hoje aqui me traz é uma comparação entre o que se vê (e o que não se vê) nas plateias dos espectáculos dos dois festivais de música mais importantes desta região. A saber: o Música em Leiria, organizado pelo Orfeão de Leiria, e o Cistermúsica, organizado pela Academia de Música de Alcobaça. A questão que aqui trago até é aparentemente simples, ou melhor escrevendo, não tem quase nada que saber ou entender...
Então aqui vai o problema: sendo os dois festivais organizados por entidades que disponibilizam e gerem escolas de música, porque é que nos espectáculos do Música Em Leiria se vêm sempre bastantes alunos e professores do Orfeão de Leiria e no Cistermúsica raramente se vêm alunos ou professores da Academia de Música de Alcobaça. Qual é a diferença? Se alguém souber, que me explique, como se eu fosse uma criança de quatro anos...
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7 comments:
Caro José Alberto,
não quero acreditar no que tens escrito acerca do Cistermúsica deste ano. A única explicaçao que encontro é teres cedido à maledicência pura que, pelo que tens escrito, é muita em Alcobaça.
Quanto às considerações sobre a qualidade dos artistas, obviamente, não vou comentar.
É uma matéria artística e por isso deixo ao director artístico a resposta que ele entender dar e se entender dar.
No entanto, noto que os currículos dos artistas internacionais que vêm ao Cistermúsica falam por si, que a missão de um festival é tentar trazer os melhores (naturalmente respeitando um determinado orçamento), independentemente da sua nacionalidade e que entras em completa contradição (entre muitas outras) quando elogias à exaustão o cuarteto Casals (espanhois, logo estrangeiros) e depois pugnas por artistas nacionais face à performance menos conseguida (na tua opinião...) da Elisabeth Keusch. Trata-se de um argumento totalmente provinciano dizer que que há artistas nacionais que fazem melhor que os estrangeiros, sobretudo para um festival que tem como missão promover não só a música portuguesa como os jovens músicos portugueses.
Só uma breve nota acerca da conferência-concerto da Patríca Bastos.
Primeiro, a sala do Capítulo foi a sala escolhida para esta conferência pelas seguintes razões:
- opção artística de fazer alguns concertos no Mosteiro, apesar da reverberação dos espaços
- é dos espaços do mosteiro com menos reverberação
- o publico esperado para uma iniciativa deste género (mesmo não havendo bihetes) rondaria sempre as dezenas de pessoas
Mais grave, mesmo de mau-gosto é dizer que a Patríca foi atirada às feras. Porquê? Só porque eu o Alexandre não pudemos estar nesse concerto? Então, que raio de organização é esta que obriga aos directores a estarem presentes (independentemente de outros compromissos, por acaso relacionado com o Festival que se desenrola em mais quatro municípios) em todos os espectáculos. A organização não funcionou? Houve algum problema?
Lembro só que na maioria dos concertos que se realizam por aí não há qualquer contextualização ou introduçao por parte do director artístico. Serão esses artistas atirados constantemente às feras?
Tudo isto é, além de profundamente provinciano, muito injusto e não era, de todo, esperado de uma pessoa interessada e que pensávamos objectiva.
É realmente incrível a falta de profundidade na análise entrando nalguns casos quase numa crítica had hominem...
O exemplo acabado disto mesmo é o último post.
Como comparar o Festival de Leiria com o de Alcobaça nestes termos?
Em relação ao concero inaugural do Festival de Leirai há mesmo desonestidade intelectual pois não comparas o concerto de abertura de Leiria não com o nosso concerto de abertura (que teve cerca de 210 pessoas, quantos pessoas estiveram em Leiria?) msd dim com outros concertos ao longo do festival que por razões várias mão tiveram tantas pessoas, assim como muitos dos concertos em Leiria (música de câmara, recitais) ao longo do festival de Leira terão, necessariamente, menos pessoas do que o espectáculo inaugural.
Isto não quer dizer que estejamos satisfeitos com a nossa afluência: não estamos.
Só que temos de analisar as coisas seriamente. Senão vejamos:
Desconheces que o orçamento do festival de Leira é de 300 mil euros e o de Alcobaça de 60 mil, ou seja 5 vezes mais e que tal facto tem bastantes implicacões?
Desconheces que quer a freguesia quer o concelho de Leiria têm o dobro da população da freguesia e do concelho de Alcobaça? Será que o público do festival em Leiria é o dobro do de Alcobaça?
Desconheces que o Festival de Leiria vai na sua 23ª edição e nós na 14ª?(quase de dez anos mais a formar público)
Desconheces que o Orfeão de Leiria tem uma Escola de Música oficial desde 1990 (ou seja há 16 anos) e Alcobaça apenas desde 2202 (ou seja este é o quarto ano) com o que isso implica em termos de formação de músicos e, por maioria de razão, de ouvintes?
Desconheces que a Escola de Música do Orfeão tem 500 alunos e 50 professores enquanto nós temos 100 alunos e 20 professores, sendo que apenas metade dos alunos frequenta o ensino oficial?
Se calhar, se analisarmos as coisas na devida proporção, o Cistermúsica não esteja assim tão mal...
No entanto, vou mais longe.
Expliquem-me, como se eu fosse uma criança de quatro anos porque é que a maioria dos alunos da Academia de Música de Alcobaça são de fora do concelho?
E sobretudo expliquem-me, como se eu fosse uma criança de quatro anos, como é que temos mais de 400 alunos de música nas colectividades do concelho e não temos mais de 10 a estudar na Academia de Música, única escola ofical de música em Alcobaça.
Quando descobrirem estas coisas, talvez tenhamos mais alunos no Cistermúsica.
Uma última nota para comentar as razões aduzidas por ti num anterior post em relação à falta de público:
- bilheteira: tanto há em Alcobaça como em Leiria (como aliás em todo o lado)
- a música apresentada e a qualidade artística dos intervenientes: é indiscutivel, como atestam os currículos destes, o público e a crítica especializada nos últimos anos (entre a qual a tua)
Sobra, sem colocar em causa que estamos aquém das nossas expecativas em relação ao público do Cistermúsica, a inveja e a malidicência. Só assim se percebe que se considere a apresentação de uma conferência-concerto por uma musicóloga reputada a trinta pessoas como sendo "atirada às feras". E, pelos vistos, que feras...
Rui Morais
Caro Rui Morais: em primeiro lugar muito obrigado por teres correspondido ao solicitado no meu blogue e teres decidido responder-me à letra, como se eu fosse uma criança de quatro anos... Se pensas que o que escrevi é maledicência pura, tudo bem, é a tua opinião e tenho de a aceitar. Vivemos em democracia, não é? Deves recordar-te que escrevo do mesmo modo e com a mesma convicção desde os primeiros anos do festival, dizendo bem do que penso ter sido bom e dizendo mal do que penso ter sido mau. A minha vontade nunca foi promover-me à custa disso e tenho até a noção de que se não fossem esses meus persistentes escritos a história do festival era desconhecida e teria até sido outra... Se pensas que a minha sinceridade é maledicência, não sei o que te poderá levar a pensar desse modo...
Quanto ao facto de eu ter feito considerações sobre a qualidade dos artistas, o que escrevi foi que no caso muito específico do Pierrot Lunaire já ouvi a Ana Ester Neves corresponder muito melhor ao sprechgesang do que o que aconteceu naquela noite com a Elizabeth Keusch. Curiosamente, havia na plateia mais pessoas com uma opinião semelhante à minha.
Quanto ao Cuarteto Casals, o que escrevi e o que disse não foi motivado pelo facto de eles serem espanhóis, foi pelo facto de eles serem mesmo muito bons! Escrevi e disse também muito bem sobre a actuação do Jano Lisboa e que eu saiba ele até é português , não é? E nem me atrevi a reproduzir coisas que ouvi na plateia sobre a actuação da Orquestra do Norte, que foram mesmo maledicentes, como tu dirias...
Quanto à questão da Sala do Capítulo, essa é uma velha questão, já com barbas. E nesse campo eu estou perfeitamente à vontade, dado que durante muitos anos fui praticamente a ÚNICA pessoa que nesta cidade lamentou publicamente o autêntico desperdício que foi durante muitos anos apresentar concertos em muitas salas do Mosteiro cuja qualidade acústica é péssima e cuja reverberação é assustadora... O dizer que a Patrícia foi atirada às feras não teve só a ver com isso, nem com o facto de nem tu nem o Alexandre terem conseguido estar presentes.Tem a ver também com o facto de a programação dos últimos anos do festival ter levantado outras expectativas... E se referes que a Sala do Capítulo é das melhores do Mosteiro para aquele efeito, deixa-me só dizer-te que no passado domingo isso não se notou nada e, antes pelo contrário, aquilo chegou ao ponto de fazer dores de cabeça e não foi só a mim... E deverá saber tão bem como eu que naquela sala, só com alguma dificuldade se consegue ouvir dignamente o que se diz num palco, sem qualquer amplificação sonora... E realmente, pareceu-me que a Patrícia esteve um bocado sózinha e desapoiada em palco, ainda para mais perante uma plateia tão reduzida...
Todavia, neste caso da plateia reduzida, achei muito mais grave o que vi na noite anterior no Cine-Teatro: custou-me mesmo muito, com fã do Cistermúsica, ver apenas 52 pessoas a assitir a um espectáculo daqueles... E de entre essas, atrevi-me mesmo a contar as que que se poderiam considerar público fiel do festival. Foi nesse âmbito que não cheguei a contar 20, dos quais nem 10 estavam na tarde seguinte. O que eu quis referir Rui, foi que algo de estranho se passa e que o Cistermúsica está a perder público. Já no ano passado isso se verificou, por exemplo no primeiro concerto, em que, conforme eu então também disse e escrevi, estava mais gente em palco do que na plateia. E então não lhe chamaste maledicência pura, tal como nos anos em que critiquei muito negativamente a anterior gestão do festival, ajudando muito provavelmente a abrir caminho para a actual, não achas?
E quando me referi ao Música em Leiria, fi-lo apenas para comparar algo que é evidente para quem frequenta os dois festivais. Em Leiria nota-se a presença dos alunos e professores do Orfeão entre o público e em Alcobaça raramente se vê algum aluno ou professor da Academia de Música de Alcobaça. Continuo a char isso estranho e agradeço o que agora me escreveste, embora pensando que não é uma análise tão suficiente como o necessário.
Sem maledicência Rui, digo-te mais uma vez que existe actualmente um problema de organização no Cistermúsica e que mantenho a noção,de que, por vários motivos, o festival continua a perder público... Deixei mesmo de ver na plateia muitos dos espectadores habituais de outros anos... Eu continuo um firme adeptom, embora crítico, da tua gestão e da direcção
artística do Alexandre, tenho é a clara noção de que é necessário fazer algo para que o festival sobreviva e se revitalize, deixando, como por aí há muito boa gente a dizer: de olhar muito para o próprio umbigo e de se isolar. Crê-me um espectador e um crítico apoiante e dedicado do Cistermúsica. Tento é manter-me lúcido nesse campo e olha que também não é por acaso que ultimamente nem os convites oferecidos na Rádio Cister têm tido espectadores interessados... E penso já te ter dito no ano passado que há por aí quem defenda que a pouca afluência de público não justifica o dinheiro gasto na organização do festival. E mesmo que eu lhes diga que outros festivais custam 5 e 6 vezes mais e acabam por ter problemas semelhantes, eles não mudam de posição.
Para terminar, não aceito a tua alusão a eu ter cedido à inveja e à maledicência pura. Nem o teu antecessor Daniel Figueiredo de mim disse alguma coisa desse génetro nos anos em que critiquei a organização do Cistermúsica por ele gerida. E deves lembrar-te que escrevi sobre ele coisas muito piores que estas que referes... Um dia destes vamos beber um cafezinho e falamos da coisa mais a fundo, se estiveres disposto ou interessado em falar comoigo sobre o assunto...
Caro Rui Morais, na minha anterior resposta acabei até por não referir algo que contradiz a tua alusão a uma minha provável maledicência e provincianismo face aos intérpretes portugueses. Se tivesses ouvido na passada segunda-feira, à tarde, o habitual comentário crítico que faço na Rádio Cister, sobre o decorrer do Cistermúsica, terias ouvido os autênticos apelos que ali fiz a uma presença esmagadora de público no Cine-Teatro de Alcobaça, na noite do próximo sábado, para assistir precisamente a um recital em que o intérprete é o portuguesíssimo Artur Pizarro. Se tivesses ouvido terias reparado que aludi precisamente à indiscutível qualidade artística do intérprete, não esquecendo a qualidade e o interesse da música que ele ali interpretará. Fiz o mesmo no ano passado, após os não menos desoladores espectáculos iniciais do festival, em termos de fraca afluência de público... E a verdade é que então a coisa até melhorou muito nos últimos espectáculos... Deverás saber que não ambiciono nem nunca ambicionei o teu lugar, movendo-me essencialmente e desde sempre o interesse em que Alcobaça tenha e conserve um dos melhores festivais nacionais de música.
Além disso, interessa-me concluir a História do Cistermúsica que metodicamente escrevo desde há cerca de um ano e penso ir constituir um sólido ponto de referência futura do festival, em termos de juízos críticos ao longo da sua História. É claro que não a estou a escrever por encomenda de ninguém...
Caro José Alberto,
vejo que o "ambiente" por aqui está acalorado, o que julgo ser positivo pois seria estranho que todos pensássemos igual e, sobretudo, que duas pessoas tão conhecedoras doproblema como você e oo Rui pensassem da mesma forma. Não me porei, porque nesta matéria sou ignorante, do lado de ninguém. Avanço apenas três explicações possíveis para a falta de público nalguns concertos do cistermúsica, e que só parcialmente podem ser da responsabilidade da organização. 1) A falta de jovens, devida aos afarezes académicos e à fixação crescente das suas vidas e amizades nas cidades d eLisboa e Coimbra. Queimas das fitas, namoradas e namorados, etc. 2) A crise económica em que vivemos, que dificulta a deslocação de pessoas até ao locais dos concertos (caríssimaa gasolina...) mas que não as impede de viajar centenas de quilómetros para ver o futebol. 3) a sempre referida questão da faltade informação, informação deficiente, ou mal veiculada. A cultura da música exige formação e sensibilidade das pessoas, mas exige também estratégias de comunicação, e que por exemplo que as juntas de freguesia se empenhem mais na divulgação dos concertos e outros eventos culturais junto dos potenciais públicos. Só ideias, de um ignorante, claro está. E deixem-me dar a ambos os parabéns: por se interessarem, por trabalharem pela cultura e por manterem Alcobaça no mapa nacional dos eventos culturais. Bem-hajam pois os meus amigos (Política à parte) José Alberto Vasco e Rui Morais.
Caro José Alberto,
a propósito dos teus comentários apenas posso dizer que, surprendentemente, não me respondes às questões factuais que te coloco, nomeadamente, em relação à comparação entre o Festival de Música de Leiria e o Festival de Alcobaça. Não achas que os dados que forneço merecem reflexão e que ultrapassam, e muito, a organização?
Se dizes que a minha análise não é suficiente, o que então dizer da tua baseada em comparações sem sentido e meramente especulativa(afinal quantas pessoas estavam em Leiria no concerto inaugural?)
Quanto aos outros pontos focados, o que agora dizes não corresponde na íntegra ao que afirmaste nos post's, pois a questão não é a performance da Elisabeth keusch ter sido ou não conseguida. A questão é a propósito disso, recorreres a uma generalização ("não há portugueses que façam melhor?") que como todas as generalizações são injustas, porque não se pode tomar a parte pelo todo, como tu certamente concordarás senão não elogiarias o Cuarteto Casals e outros agrupamentos estrangeiros que têm vindo ao festival.
Portanto, a questão para mim nunca foi o facto de tu criticares o festival, como bem sabes...
A questão é a contradição entre as várias coisas que tens escrito, por um lado, e as conclusões que tiras sem se perceber quais os pressupostos, chegando ao limite de afirmar que o Cistermúsica está ferido de morte (!) pois a afluência de público tem vindo a baixar (o que não sequer é verdade, muito provavelmente a afluência deste ano será superior à do ano passado), por outro.
Mais importante ainda é perceber o que defendes tu quando falas em reestruturação do festival.
É que não se entende, ora elogias a direcção, ora dizes que o festival está ferido de morte.
Eu apenas posso dizer o seguinte:
1 - para a Academia de Música o Director Artístico do Cistermúsica será, enquanto ele quiser, o Alexandre Delgado devido à sua competência e categoria como músico e como pessoa
2- é preciso mais promoção do festival, que só se resolve com um orçamento bem mais significativo (curiosamente, a diferença de 60 mil para 300 mil entre o nosso festival e o de Leiria também não te suscitou grandes comentários, embora por mais de uma vez tens transmitido que há pessoas que acham que se gasta muito dinheiro com o festival - sei que não é o teu caso - como essas opiniões fossem muito importantes)
3 - estamos num concelho muito complicado geograficamente e não só... Os problemas de público não se esgotam no Cistermúsica, acredita. O que dizer de espectáculos de teatro com 10 ou 20 pessoas ou de um festival de jazz com os melhores músicos nacionais com 30? Ou se quiseres focalizar a questão no concerto com a Elisabeth Keusch, o que dizes ao facto de em Almada terem estado umas 20 pessoas e em Castelo branco também umas 50? Será responsabilidade da organização de Alcobaça?
4 - para mim, a questão fundamental é a introdução da bilheteira, pois há efectivamente muitas pessoas que apareciam no cistermúsica e que agoram não vêm. São opções que temos de tomar para assegurar a sustentabilidade possível do festival. No entanto,
sabes bem que o concerto inaugural deste ano teve mais do dobro do do ano passado que aconteceu num dia de Benfica-Sporting. Este facto, pois como já disse anteriormente, tivemos cerca de 210 pessoas no concerto de abertura (que é um bom número em qualquer festival)porque o omites? Não é, pois, verdade, mais uma vez repito, que o Cistermúsica esteja a perder público se comparamos a edição deste ano com a do ano passado.
Estamos sim a perder público se comparamos as edições sem bilheteira e com bilheteira. Apesar de tudo, consola-me saber que a esmagadora maioria do festivais em Portugal e no mundo são pagos ( é não são a 7,5 ou a 10 euros, como sabes).
Dito isto, não percebi nada da tua resposta. Em vez de uma análise objectiva, respondes com subjectividades, algumas completamente absurdas (tipo "eu não quero o teu lugar" ou "a minha vontade nunca foi foi promover-me")
Caro José Alberto,
que raio de respostas são essas?
Alguém te acusou de te promoveres?
Pensas mesmo que eu acho que queres o meu lugar, seja lá o que isso for?
Isto até me dá vontade de rir.
A crítica que tu fazes ao festival não está em causa, nem eu a coloquei em causa. Só que a tua crítica é também passível de crítica, não?
É só isso que aqui está em causa, pois a frontalidade que tu tens e que eu aprecio (já não aprecio tanto os maledicentes que te rodeiam que não têm coragem para dizer alto e bom som o que pensam, se é que pensam...)é uma virtude que eu também tenho. A troca de opiniões, mesmo que de forma dura, é algo positivo. Portanto, não entendo as tuas alusões a vivermos em democracia, ao facto de te justificares com a crítica histórica que fizeste ao Cistermúsica (como se se pudesse comparar o anterior festival e o que realiza desde 2001)e dizeres então que foram as tuas críticas que abriram espaço à actual organização é, no mínimo, pouco humilde.
O que eu gostava mesmo de saber é o seguinte:
- que sugestões tens para uma melhor organização do festival?
- se, como dizes, a falta de público nota-se desde o ano passado, porque não assumes que o problema está na introdução da bilheteira e não na qualidade artística dos grupos (pois o director artístico é o mesmo há 5 anos). E se defendes efectivamente que os espectáculos sejam pagos, porque não afirmas então que o problema está nas pessoas que não querem pagar para assistir a uma Gulbenkian ou a um Casals, mas sim gastar o dinheiro noutras coisas?
- se estás constantemente a dizer que ouves pessoas com constantes críticas maledicientes com as quais não concordas (bilhetes, orçamento, invejas várias) porque estás sempre a transmiti-las no que escreves?
Amanhã falamos melhor no recital do Pizarro que espero que tenha bastantes pessoas. Uma vez que a qualidade do pianista não está em causa, que o preço é muito em conta (7,5€) se tal não acontecer, de quem será a culpa?
Rui Morais
Caro Valdemar: muito obrigado por mais uma vez se ter disponibilizado a intervir neste blogue. Muito obrigado pelas suas dicas e pela sua análise, com a qual estou essencialmente de acordo, embora ache que o problema é muito mais profundo que isso. As razões que refere para o afastamento do público deste género de evento são reais e concretas, mas penso haver algumas outras, não menos importantes, dado que neste caso estamos especificamente a dissertar sobre um género de eventos que deverá viver muito da captação de novos públicos e da manutenção e revitalização dos que já têm. Penso que é aí que reside o problema que refiro no Cistermúsica, embora esteja convicto de que o Rui Morais e o Alexandre Delgado conseguirão dar a volta ao problema, por cima. Já agora chamo a sua atenção para o novo post que ontem aqui coloquei, tendo por leitmotiv a programação anunciada para a nova temporada de música da Fundação Gulbenkian. Os exemplos são a diversidade e o ecletismo, e, acima de tudo, uma firme aposta na contratação de grandes vedetas internacionais da música culta... É que a Gulbenkian também se tem ultimamente queixado de falta de público nalguns dos seus concertose, neste caso, parece ter encontrado um modo de tentar resolver o problema...
Caro Rui Morais: ainda bem que alguns dos meus comentários te dão vontade de rir. Pelo menos já lhes encontraste alguma utilidade... No que respeita a comparações entre o Cistermúsica e o Música em Leiria, estou perfeitamente à vontade, pois acompanho e escrevo sobre ambos há uma boa série de anos. E já agora, recordo-te que a única comparação que fiz no post que tanto te parece ter irritado foi que via muito menos alunos e professores das respectivas escolas de música no festival de Alcobaça que no de Leiria. E escrevi-o no bom sentido, tentando ter algum humor e chamar a atenção para um problema que continuo pensar a existir... Já agora recordo-te que essa análise dos custos de um festival e do outro já é por mim feita de há muitos anos a esta parte. Cheguei até, em dada altura, a escrever que o custo total do Cistermúsica era inferior ao custo da direcção artística do Música em Leiria... Nessa minha análise, muitas vezes escrevi e mantenho, que o problema reside também na diferença entre a proveniência das dotações orçamentais de ambos os festivais. Enquanto o de Alcobaça recorre essencialmente a entidades públicas, o de Leiria tem há muitos anos um notável relacionamento com a a inicitiva privada. É até curioso que empresas de Alcobaça como a Atlantis, a Spal ou a Sofal, patrocinem concertos no Música em Leiria ou no Festival de Música de Sintra e não o façam em Alcobaça... Por exemplo, o concerto inaugural da edição deste ano, com vedetas internacionais em palco, foi custeado por uma companhia de seguros, a Allianz, que no final até ofereceu um beberete...
E já agora, em termos de comparação entre os dois festivais, talvez não saibas que eu, este ano, no comentário que fiz na Rádio Cister sobre o tão afamado e notável concerto do Cuarteto Casals em Cós, referi que ele não foi nada inferior a uma actuação a que assisti há dois no Música em Leiria, então com a presença em palco do Musica Antiqua Köln, que sabes ser apenas e provavelmente o mais conceituado agrupamento mundial do seu género. Não estou esta ano a ser tão maldizente do Cistermúsica como tu tens pintado...
Os problemas que penso existir no Cistermúsica são, no meu entender, resolúveis no âmbito da tua direcção executiva e da direcção artística do Alexandre Delgado. E neste campo, foste tu mesmo que ainda há poucos dias, num outro blogue, recordaste que a ideia de contratar o Alexandre Delgado para director artístico daquela que é ,certamente, a melhor fase da história do Cistermúsica, foi por mim inicialmente sugerida, quer na imprensa radiofónica quer na imprensa escrita. Esse é um dos motivos pelos quais posso efectivamente escrever e dizer, alto e bom som, que foram as minhas críticas que abriram espaço à actual organização do Cistermúsica, embora tu aches isso pouco humilde da minha parte e eu esteja bem longe de querer uma estátua por esse motivo... Recordo-te também, que essas minhas críticas foram durante muitos anos a única forma de alguém ter levantado publicamente a voz contra a deficiência organizativa e programática que durante muitos anos campeou no festival... Muitos outros preferiram então estar caladinhos que nem ratos... Mas, caro Rui, conheces-me suficientemente bem para saber que a única coisa que pretendo, neste caso como em tantos outros, é intervir criativa e criticamente em prol do benefício de coisas que para mim são sagradas (como o Cistermúsica e o Cine-Teatro de Alcobaça), embora eu seja agnóstico (facto que muito social-democraticamente até nem é crime)...
Voltando à questão da falta de público, já no ano passado eu referi que o facto de se terem começado a cobrar as entradas nos concertos do Cistermúsica foi o motivo essencial do início do afastamento de muito do seu público anterior. E deverás certamente saber que eu fui um dos raros alcobacenses que também durante muitos anos defenderam que se deveria acabar com o péssimo hábito de realizar concertos à borla, não só no Cistermúsica como noutros eventos e acontecimentos locais... Não é novidade nenhuma estares-me agora a dizer que o problema também reside aí. Todavia, caro Rui, o que quero novamente referir-te é que o problema não reside unicamente aí e que existem muito mais causas para esse afastamento do público, que já no ano passado referi, em termos bastante idênticos aos deste ano, sem que tu te tivesses exaltado tanto com isso... Penso e defendo que seria útil para o futuro do festival haver uma reflexão nesse sentido, evitando que ele se isole do seu público potencial, ganhe novos públicos e evite perder alguns dos seus fiéis...
É claro que amanhã vais encontrar esta fera no recital do Artur Pizarro! Espero que encontres também muito mais gente, seja ela interessada, desinteressada, bem dizente ou maldizente... E de todos eles que se alimenta e revitaliza a
vida de uma instituição como o Cistermúsica. Quanto a mim, já sabes que esta fera não desiste de comentar acontecimentos como o Cistermúsica, fazendo-o sempre tão aberta, crítica e independente quanto o possível, por mais que isso possa custar por vezes a muito boa gente... E olha que os inimigos do festival não são aqueles que o criticam pela frente... Já sabes também que espero ter concluída no próximo ano a História do Cistermúsica que ando a escrever, tentando deixar um documento escrito que as gerações vindouras possam ler e apreender. Será essa a minha contribuição essencial para o Cistermúsica, de que me continuo a considerar o "Fã nº 1", posicionamento de que também não tenciono desistir, embora isso também talvez te dê vontade de rir...
Até amanhã, no Pizarro!
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